O corpo sabe que é memória

Rafael Niepce
Compartilhe:

R$ 69,90

Ficção

ANO DE LANÇAMENTO: 2026
PÁGINAS: 96
CAPA: Filipa Damião Pinto
FORMATO: 13,5 x 20,8 x 1,0 cm
ISBN: 978-65-85603-41-6

“Subi no parapeito da ponte. Lá embaixo o rio me chamava com sua voz antiga. Pensei em João no hospital, suspenso entre mundos; na mãe, em todas as dores que a música faz vibrar; no pai, sozinho contra o peso de viver.” p. 50

Mini sinopse: Ao receber a notícia de uma tragédia familiar, Luiz volta à cidade de sua infância depois de anos de ausência. Enquanto espera por um desfecho incerto, ele é forçado a confrontar as ruínas emocionais que deixou para trás.

Texto de orelha: Há livros que nos impactam pela sua força de novidade, enquanto outros promovem uma forma de reencontro. Poucos, no entanto, nos interpelam com um misto de descoberta e reconhecimento, como foi o caso para mim deste O corpo sabe que é memória, primeiro livro de Rafael Niepce. A cada releitura o texto me comoveu: não apenas nos momentos em que sua carga afetiva se intensifica, mas também em passagens discretas, quase laterais, nas quais algo vibrava sem que eu soubesse nomear de imediato o que me tocava. Logo me dei conta de que essa comoção era resultado do manejo da linguagem de que esta novela profundamente musical presta testemunho. Trata-se de uma prosa segura, não raro atravessada por grande densidade vivencial e por momentos de notável força lírica.

Impressiona ainda o domínio arquitetônico da forma novela que se vê aqui. Gênero exigente, que pede concentração e unidade, a novela encontra neste livro uma realização surpreendentemente madura para uma obra de estreia. Cada uma das finas linhas da narrativa é costurada em sua própria temporalidade. Assim, a teia de sentidos vai se construindo organicamente, sem se impor ao leitor, sem pavimentar uma única via de interpretação. Há uma confiança serena tanto na inteligência do leitor quanto na própria literatura como pátria da abertura de sentido — e essa confiança costuma ser sinal, ou condição, de boa literatura.

A escolha do enredo também é decisiva. Ao situar a narrativa no interior agrário e católico do país, a novela recupera algo de uma sociabilidade reconhecível na nossa vivência individual e explorada em nossa literatura. Difícil não lembrar de clássicos como Lavoura arcaica, de Raduan Nassar, ou Dois irmãos, de Milton Hatoum, que também investigam o núcleo familiar como espaço de tensão simbólica, afetiva e pulsional. Sem dúvida, este livro pode ser lido como um jovem descendente dessa importante tradição da prosa brasileira contemporânea.

No entanto, é inegável que O corpo sabe que é memória já nos permite entreouvir uma voz narrativa própria. Que ela encontre os leitores que merece — e que, como eu, se deixem tocar por sua delicada gravidade. (Daniel Arelli)

Veja também

O preço original era: R$ 374,70.O preço atual é: R$ 262,30.

0
0
Sua Cesta
Sua cesta está vazia